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Blog do Luiz Moura

added: Sun, 12th February 2006 | 716 views | 0x in favourites
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This is a diary of a paint chemist who also likes IT, languages, cycling and Betta splendens.

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É caminhando que se faz o caminho

Chegamos! Esperamos a Constituição como o vigia espera a aurora. Bem-aventurados os que chegam. Não nos desencaminhamos na longa marcha, não nos desmoralizamos capitulando ante pressões aliciadoras e comprometedoras, não desertamos, não caímos no caminho. Alguns a fatalidade derrubou: Virgílio Távora, Alair Ferreira, Fábio Lucena, Antonio Farias e Norberto Schwantes. Pronunciamos seus nomes queridos com saudade e orgulho: cumpriram com o seu dever.
A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma.
Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério.
A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia.
Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina.
A coragem é a matéria-prima da civilização. Sem ela, o dever e as instituições perecem. Sem a coragem, as demais virtudes sucumbem na hora do perigo. Sem ela, não haveria a cruz, nem os evangelhos.
A Assembléia Nacional Constituinte rompeu contra o establishment, investiu contra a inércia, desafiou tabus. Não ouviu o refrão saudosista do velho do Restelo, no genial canto de Camões. Suportou a ira e perigosa campanha mercenária dos que se atreveram na tentativa de aviltar legisladores em guardas de suas burras abarrotadas com o ouro de seus privilégios e especulações.
Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de gente, de rua, de praça, de favela, de fábrica, de trabalhadores, de cozinheiros, de menores carentes, de índios, de posseiros, de empresários, de estudantes, de aposentados, de servidores civis e militares, atestando a contemporaneidade e autenticidade social do texto que ora passa a vigorar. Como o caramujo, guardará para sempre o bramido das ondas de sofrimento, esperança e reivindicações de onde proveio.
A Constituição é caracteristicamente o estatuto do homem. É sua marca de fábrica.
O inimigo mortal do homem é a miséria. O estado de direito, consectário da igualdade, não pode conviver com estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis é a sociedade que não acaba com a miséria.
A Federação é a governabilidade. A governabilidade da Nação passa pela governabilidade dos Estados e dos Municípios. O desgoverno, filho da penúria de recursos, acende a ira popular, que invade primeiro os paços municipais, arranca as grades dos palácios e acabará chegando à rampa do Palácio do Planalto.
Democracia é a vontade da lei, que é plural e igual para todos, e não a do príncipe, que é unipessoal e desigual para os favorecimentos e os privilégios.
A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam.
Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.
Não é a Constituição perfeita. Se fosse perfeita, seria irreformável. Ela própria, com humildade e realismo, admite ser emendada, até por maioria mais acessível, dentro de 5 anos.
Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e abri-los. Será redentor o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e ignorados da miséria.
Nosso desejo é o da Nação: que este Plenário não abrigue outra Assembléia Nacional Constituinte. Porque, antes da Constituinte, a ditadura já teria trancado as portas desta Casa.
Autoridades, Constituintes, senhoras e senhores, a sociedade sempre acaba vencendo, mesmo ante a inércia ou antagonismo do Estado.
O Estado autoritário prendeu e exilou. A sociedade, com Teotônio Vilela, pela anistia, libertou e repatriou.
A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram.
Foi a sociedade, mobilizada nos colossais comícios das Diretas-já, que, pela transição e pela mudança, derrotou o Estado usurpador.
Termino com as palavras com que comecei esta fala: a Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar.
A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança.
Que a promulgação seja nosso grito: – Mudar para vencer! Muda, Brasil!

Eleicões Municipais

A ARENA, isto é, o DEM, só não vai virar partido nanico se o Kassab, ex-secretário do Pitta e candidato do Serra, vencer a Marta no segundo turno de São Paulo. De qualquer forma, o PDS, isto é, o DEM, venceu em apenas 4 municípios com mais de 200 mil eleitores. O PFL, isto é, o DEM, ficou para o segundo turno em apenas 2 cidades com mais de 200 mil eleitores, entre elas a única das capitais, justamente São Paulo. Eles vão investir todas as fichas em São Paulo, já que perderam até em Salvador, onde foi a missa de sétimo dia do carlismo, conforme disse o Marco Aurélio Garcia ao Blog do Josias. Já sairam em busca do apoio dos outros partidos de direita, sobretudo o PSDB e o PPS. A Marta vai ter dificuldades, já que teve de tomar medidas impopulares por ter pegado a Prefeitura quebrada em 2000 e agora está na mira dos plutocratas, da classe média conservadora e da imprensa burguesa - Folha, Estado, Veja e Globo. O segundo turno em Sampa vai ser uma prévia à eleição para presidente em 2010. O Serra apostou nisso quando abandonou a campanha do companheiro de partido (Alckmin) para ingressar com tudo na campanha do "democrata" Kassab. Em 26 de outubro teremos então a luta do lobisomem contra a mula-sem-cabeça. Quem viver, verá.

A briga do tucano e o papagaio

Já que o Maluf é descendente de árabes e seu nome está associado à corrupção, a direita paulistana, através do Estadão, da Folha e da Globo, já escolheu o Kassab, em detrimento do Alckmin. Parte do PSDB também já optou pelo Kassab, ex-secretário de Planejamento do Celso Pitta (criatura e obra de Maluf).
A Folha dá vantagem de oito pontos a Gilberto Kassab sobre Geraldo Alckmin às vésperas do primeiro turno. E aponta o "democrata" como futuro prefeito da cidade.
Segundo a Folha e o Estadão, o Picolé de Chuchu "reagiu com indignação" ao cancelamento pela Globo do último debate antes do primeiro turno, que favoreceu o "democrata". Alckmin foi abandonado pelos companheiros quando tentou a estratégia de atacar o malufista Kassab. Segundo o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), "o eleitor não esperava uma atitude tão agressiva de um homem de Deus, que dizem ser ligado à Opus Dei".
Eles estão desesperados. Será que eles, PSDB e DEM(-PFL-PDS-ARENA), vão conseguir se fundir após as eleições? Se forem para o segundo turno, tenha certeza que o PPS (ex-Partidão) da Soninha vai ficar com eles. Por outro lado, se não conseguir se eleger, essa gente vai virar partido nanico por muito tempo.

Pra Não Dizer Que Não Falei da Política


  • Na semana passada no SBT Repórter, o César Filho apresentou o tema "Araguaia/Milícias". Na primeira parte foi abordada a história da guerrilha do Araguaia que ocorreu aqui nos anos 70. E na segunda metade, mostraram-se algumas entrevistas e atividades da organização neonazista americana White Aryan Resistance, citando o atentado à bomba na Cidade de Oklahoma em 1995. A TV aberta às vezes chega a nos surpreender. Pena que sejam apenas algumas exceções, de vez em quando.
  • O Que Você Tem a Ver com a Corrupção? é um projeto interessante, originado no estado de Santa Catarina há quatro anos e que agora tem alcançado projeção nacional. Aparentemente não tem vinculações político-eleitorais, como algumas campanhas que vimos recentemente. A corrupção é um mal presente em toda a sociedade, e não apenas no meio político, como querem dar a entender os adversários da democracia. Vale a pena dar uma clicada nesse link.

Amor à Flor da Pele

"Amor à Flor da Pele" (Fa yeung nin wa, 2000), conhecido internacionalmente como "In the Mood for Love", escrito, dirigido e produzido pelo chinês Kar Wai Wong, trata do romance entre o Sr. Chow (Tony Leung Chiu Wai) e a Sra. Chan (Maggie Cheung). Logo após se mudarem para uma pensão em Hong Kong dos anos 60, eles descobrem que seus respectivos cônjuges estão tendo um caso. Por isso eles se tornam amigos e o clima de romance é exposto de forma lenta, gradual e sutil ao longo do filme, considerado uma obra-prima. O enquadramento da filmagem dá a impressão que a gente está espionando o casal. O clima fica completo com a música, com destaque para o bolero "Aquellos Ojos Verdes", e a fotografia, com tons de vermelho e muita nitidez.

Apenas mais uma de amor

Depois de tanta estória romântica, então (do Lulu Santos) apenas mais uma de amor:
Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder.
Deixo assim ficar subentendido, como uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer.
Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby.
A beleza é mesmo tão fugaz. É uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de convencer.
Pode até parecer fraqueza. Pois que seja fraqueza então. A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer.
Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer. (Eu digo: vai doer). O que eu ganho, o que eu perco ninguém precisa saber.

Razão e Sensibilidade

O filme não é novo, mas vale a pena ser visto e revisto. Refiro-me a "Razão e Sensibilidade" (Sense and Sensibility, 1995) do chinês Ang Lee, que também dirigiu "O Tigre e o Dragão" (2000) e "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005). O roteiro é da Emma Thompson, baseado no romance homônimo da Jane Austen. O drama começa quando uma viúva fica pobre pelas regras da herança na Inglaterra do século XIX e se muda para o interior com as três filhas: a menina Margaret, a sensível Marianne (Kate Winslet, de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" e "Em Busca da Terra do Nunca") e a racional Elinor (Emma Thompson, de "Vestígios do Dia" e "Mais Estranho que a Ficção"). O título do romance se refere às duas moças. Marianne é a própria sensibilidade e emoção, enquanto Elinor representa a razão e o bom senso. O filme é longo e se mantém pelas belas locações e pelo desempenho do ótimo elenco. Quando a gente acha que as duas moças vão ficar solteironas...Bem, é melhor ver o filme. Muito romântico, por sinal.

Um diretor, duas atrizes e dois filmes

Duas atrizes inglesas foram dirigidas pelo inglês Joe Wright em seus dois últimos filmes. São elas: a experiente Brenda Blethyn, e a jovem Keira Knightley, que também atuou em três filmes do americano Gore Verbinski ao lado de Johnny Depp ("Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra", "O Baú da Morte" e "No Fim do Mundo"). Os dois belíssimos romances são:


  • "Orgulho e Preconceito" (Pride & Prejudice, 2005), baseado no conhecido romance da escritora inglesa Jane Austen, estória de amor meio água-com-açúcar, mas muito bonita, com destaque especial às locações e à fotografia.
  • "Desejo e Reparação" (Atonement, 2007), baseado no romance do inglês Ian McEwan, drama que trata do sentimento de culpa, estando mais para tragédia do que para romance. Venceu o Oscar de melhor trilha sonora deste ano.

Advertência: esses filmes não tratam de violência, embora o segundo tenha a guerra como pano de fundo. Ao contrário, tratam de sentimentos e emoções.

Leitura

Está terminando a 20a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Quase não fui, deixei para a última hora, mas acabei até comprando mais livros do que imaginava. Embora não esteja lendo muito no momento, acho a leitura algo indispensável. Eu comecei a gostar de ler quando, ainda menino, passei a comprar "Mickey", da Editora Abril. De uma época em que havia preconceito contra os gibis, meus pais ficaram preocupados e perguntaram à minha professora do primário, dona Ametista, se deviam permitir que eu continuasse a comprar gibis. Ela disse que sim, porque os gibis despertariam meu gosto pela leitura. Dito e feito. Mais tarde, no colégio, fiquei fã do Machado de Assis. E procurava imitá-lo nas aulas de redação. Quase me decidi a fazer letras e linguística, não fosse a paixão pela astronomia nos tempos de garoto. Hoje, posso parodiar Groucho Marx, dizendo que acho a televisão muito educativa: toda vez que alguém liga a televisão em minha sala, vou para outro cômodo e leio um livro.
Só mais duas citações, juro. Segundo Sir Richard Steele, a leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo. E, conforme Mário Quintana, o verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê.
Esse tema sempre me faz lembrar do ator Oskar Werner no filme "Fahrenheit 451" do François Truffaut (1966), e da queima de livros realizada em maio de 1933 pelos nazistas como "um ato de limpeza contra o espírito não germânico".

É brincadeira?

É brincadeira? Sim, no sentido lúdico porque, conforme o Toquinho, é bom ser criança, ter de todos atenção. Da mamãe carinho, do papai a proteção. É tão bom se divertir e não ter que trabalhar. Só comer, crescer, dormir, brincar.
Dá uma olhada nos sítios JocJogos e Brincar.pt, escolha um joguinho e tente ao menos uma vez. Mas, cuidado, pode viciar. Eu já fiquei dependente do Bejeweled.
Se bater saudades dos tempos de infância, é só clicar em RetrôTV, autodenominado como o portal brasileiro das séries e desenhos antigos. Confesso a você que sou fã da série "Perdidos no Espaço", apesar de típico exemplo chauvinista e colonialista da obsessão imperialista americana de dominar terra, mar, ar e tempo, na época da guerra fria. Isto estava demonstrado nas outras séries dos anos 60 do roteirista, produtor e diretor Irwin Allen: Viagem ao Fundo do Mar, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes.

Crepúsculo dos Deuses

Não, esse título não se refere à performance de nenhum país ou modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos de Pequim.
E também não tem nada a ver com certo partido de apoiadores da ditadura militar posando de democratas e que tiveram imunidade tributária suspensa por terem sonegado impostos no período de 2002 a 2004.
Longe disso.
O título se refere ao filme "Sunset Blvd." dirigido em 1950 pelo Billy Wilder, com a Gloria Swanson interpretando Norma Desmond, uma ex-estrela do cinema mudo, como ela própria. A boulevard Sunset é onde fica a mansão da atriz rica e cinqüentona, que se apaixona por um roteirista mais jovem e pobre, Joe Gillis, interpretado por William Holden. É um drama romântico que pode ser classificado como film-noir. E uma bela crítica a Hollywood. Soberbo. Não que eu queira ser saudosista e não torça o tempo todo para ver arte cinematográfica nestes tempos de internet e DVD, mas já é possível dizer que não se fazem mais filmes como antigamente. Exceções existem, mas são raras. Cito uma delas: "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (The Dark Knight, ou Batman Begins 2, Christopher Nolan, 2008), com Christian Bale fazendo Bruce Wayne e Batman, e o Coringa Heath Ledger, que morreu em janeiro último de uma overdose acidental ao misturar diversos medicamentos.

Ler é Preciso


Há cerca de um mês estive em Buenos Aires. A primeira vez foi há um bom tempo, e tinha sido apenas um dia. Mal tive tempo de ver a Casa Rosada, a avenida 9 de Julho e seu obelisco, e as ruas Florida e Caminito. Mas desta vez foi diferente. Aos poucos, contarei o que vi. Destaco agora a Biblioteca Nacional (ver foto à esquerda, acima), que tem uma sala chamada Guimarães Rosa, no bairro da Recoleta. E a infinidade de livrarias espalhadas pela cidade, como a El Ateneo (ver foto à esquerda, abaixo), na Av. Santa Fé, 1860, que ocupa o prédio de um antigo teatro. Há muito mais livrarias em Buenos Aires do que em qualquer cidade do Brasil. E os livros lá são bem mais baratos que aqui. Temos de reconhecer: o argentino, principalmente o portenho, lê muito mais que
nós, brasileiros.
A propósito, se você gosta de ler, veja os vínculos abaixo:

Domingo à tarde na Vila

O Santos estava na lanterninha do Campeonato Brasileiro. Mesmo assim deu vontade de ir à Vila ver o Peixe jogar contra o Vasco. Dei sorte. Primeiro, porque um amigo aceitou ir também quando o chamei. Segundo, porque usando uniforme, paguei meio ingresso nas cadeiras cobertas laterais. Terceiro, porque o Santos aplicou a maior goleada sobre o Vasco em campeonatos brasileiros: 5 a 2! E foi sorte mesmo. Depois de um começo preocupante, o Santos abriu 2 a 0. Aí tomou um gol que me fez lembrar um 2 a 2 contra o Grêmio, que vi lá faz um tempo. Mas, que nada, o time foi melhorando aos poucos e, graças a três pênaltis convertidos pelo Kléber Pereira, virou 4 a 1, com o goleiro do Vasco sendo expulso. Estava decidido. No segundo tempo, houve mais um gol para cada lado , e só. Cabia mais. Mas, tudo bem. A torcida saiu feliz. Embora ainda no antepenúltimo lugar na tabela, o time mostrou que tem condições de reagir. Dei sorte pro Peixe. Isto significa que terei que ir lá outras vezes neste ano. Não sendo contra times paulistas, dá para ir tranqüilo. Tinha muita família, crianças, e mulheres também, que entraram de graça na geral. Que cinema, que nada. Hoje a tarde foi para ver o Santos, na Vila. 

Posted by Picasa

Mendoza




Mendoza é a quarta cidade da Argentina, localizada no sopé da Cordilheira dos Andes. Só não é um deserto completo porque é irrigada pelas águas do degelo da cordilheira. Além de azeite, Mendoza produz 70% do vinho argentino em suas mais de mil bodegas. Visitei a La Rural que, além de vinícola, é um museu do vinho. Valeu a pena também visitar o Parque General San Martín, onde fica um zoológico sem jaulas e o Cerro La Gloria, que é o mirante da cidade. Mas o passeio imperdível é ir até a estação de esqui Los Penitentes através de Uspallata, indo pelo parque Villavicencio e voltando por Potrerillos. O ponto alto do passeio, sem trocadilho, sem dúvida é a vista do Monte Aconcágua (6959m), o mais alto da América, a partir de Puente del Inca (2700m). Veja algumas fotos ao lado. Dica: fique no Hotel Ibis, alugue um carro, visite algumas bodegas e não deixe de fazer o circuito mencionado acima, que é chamado de Alta Montaña. É claro, passeie pelas diversas praças da cidade e saboreie seus bons vinhos. Eu gostei tanto que vou voltar lá. Vale a pena.

Da natureza, da consciência e da reputação

Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação
"Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou.
Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando. O mestre tentou tirá-lo novamente e outra vez o animal o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
-Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?
O mestre respondeu:
-A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida, e continuou:
-Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Quando a vida te apresentar mil razões para chorar, mostre- lhe que tens mil e uma razões pelas quais sorrir. Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam... É problema deles."

Espírito moderno

Uma sucessão de fatos tem me levado a refletir sobre misticismo, ocultismo e espiritismo. Vou lembrá-los a seguir, não necessariamente em ordem cronológica direta ou inversa:
- vi o filme “Julieta dos Espíritos”;
- faleceram nesta semana a Ruth Cardoso e a Sylvinha Araújo; e
- vi em algumas livrarias algumas obras que tratam a relação do nazismo com o ocultismo e lembrei na hora da “divisão paranormal da SS” citada no game “Retorno ao Castelo de Wolfenstein”.
Não sou contra o espiritismo por motivos religiosos, a exemplo dos protestantes, mas acho que é uma doutrina perigosa do ponto de vista político, filosófico e ideológico.
Para entender essa questão, assim como a todo o pensamento moderno, é indispensável conhecer os pensadores, escritores, filósofos e cientistas do século XIX. A tese de que há seres superiores, que evoluíram pela seleção natural e sobreviveram por serem mais aptos, quando aplicada a raças e a espíritos é a base do nazismo e do espiritismo. Essa tese serviu de motivo para a perseguição nazista a judeus, ciganos, eslavos, homossexuais, marxistas, além de católicos e testemunhas de Jeová. O codificador da doutrina espírita, Hippolyte Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, deixa bem claro seu racismo no artigo “Perfectibilidade da Raça Negra” (Perfectibilité de la race nègre, Revue Spirite - Journal D’Estudes Psychologiques, Avril 1862). Que me perdoem os amigos que acham chique ser espírita, à moda da Globo, de seu jornal Extra e de sua revista Época, mas é apenas a minha opinião. Conto com seu espírito superior e caridoso para que não me condenem por pensar diferente.

Julieta dos Espíritos

”Julieta dos Espíritos” (Giulietta degli Spiriti, 1965) é o primeiro filme colorido do Federico Fellini. Conta a estória de Giulietta Boldrini (vivida pela Giulietta Masina, mulher do diretor), que busca forças nas memórias e no misticismo para deixar o marido infiel. O filme tem dois pontos que chamam a atenção. O primeiro é o uso e abuso das cores, inovação do cinema italiano, em meio às figuras bizarras, fantasias, sonhos e alucinações, características do cinema de Fellini. O segundo aspecto é a abordagem do misticismo. O bom cinema leva à reflexão. Vou comentar no próximo post o que me ocorreu ao ver este filme. Se o recomendo? Em geral, não. A menos que você estude cinema ou seja cinéfilo. Para ver algo mais blockbuster, reveja Ghost (1990) do Jerry Zucker, cujo melhor filme foi “Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu” (Airplane!, 1980).

Até logo, Ruth

Fiquei surpreso ao saber hoje da morte súbita da ex-primeira dama dona Ruth Cardoso. E triste também, confesso. Alguém poderá dizer que não entende por quê. Ué! Não se pode ter religiões políticas diferentes? Qual o problema? Apesar do tucanato ter optado pela aliança com o que há de mais retrógrado em termos de pensamento político e ideológico no Brasil, não podemos esquecer que, ao lado de muitos peemedebistas, os tucanos também foram companheiros de luta contra o fascismo por aqui. Naquele momento, nossas diferenças não importavam tanto. Depois, cada um fez a opção que achou mais adequada. Nada mais normal. Nós conseguimos deixar a sociedade mais tolerante e mais plural. O fato da professora e antropóloga pensar diferente não tira seu valor. Com respeito e admiração, manifesto aqui minhas sinceras condolências à família. Descansa em paz, Ruth.

Filhos da Esperança

"Filhos da Esperança" (Children of Men, 2006, Alfonso Cuarón) é um filme interessante, diferente. É ficção científica sem raios laser, naves espaciais, teletransporte etc. É uma visão apocalíptica do futuro próximo baseada no passado recente. Trata-se do ano de 2027 em que não existiriam mais crianças. Sem elas, não haveria futuro e nem esperança. Há muitas citações e simbolismo. Lembra George Orwell em "1984". O quadro Guernica (do Pablo Picasso) e a canção "Arbeit Macht Frei", cujo título significa "trabalho liberta", lembram o nazi-fascismo, assim como a truculência dos britânicos ao tratar de imigrantes indesejados. É um filme para ler. E pensar.

Fico assim sem você

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Detroit

Detroit é uma cidade do condado de Wayne no sudeste do Estado de Michigan, separada de Windsor (Ontario, Canadá) pelo Rio Detroit, estreito que liga grandes lagos. Sua área metropolitana, conhecida por Metro Detroit, inclui mais cinco condados e tem cerca de quatro e meio milhões de habitantes. A cidade tem vários apelidos, incluindo Motown, pela música, e Motor City, por ser o centro automotivo mais tradicional do mundo. Veja ao lado fotos do GM Renaissance Center, cuja torre principal tem um restaurante no 72º andar. Se tiver medo de altura, não suba lá. Fora o People Mover, que é um trenzinho automático e que circula no centro financeiro, e alguns poucos ônibus, podemos até dizer que não há transporte público na região, isto é, todo mundo tem carro. A maioria dos carros é nova, grande, de câmbio automático. É comum ver gente ao celular enquanto dirige e até mesmo enquanto abastece - lá não há frentistas. O preço do combustível está cerca de um dólar por litro, caro para eles. Há muitos shoppings, lá chamados de "mall". Em cada quarteirão tem uma bandeira americana. E em lugares públicos sempre se vê um aviso aconselhando a denunciar atividades suspeitas. Talvez seja o stress causado pelo 11 de setembro de 2001. Com relação ao tempo, fora o fato de que a temperatura chega a -10°C entre dezembro e março, é comum se ver nas fábricas os tornado shelters, abrigos para se proteger dos tornados. Se você for e ficar muito tempo por lá, corre o risco de ir Zé Carioca e voltar Pato Donald.

Pedras de Gonçalves

Feriadão de Corpus Christi. Fugi para as montanhas de Minas, para o triângulo Gonçalves-Monte Verde-Campos do Jordão. Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí ficam em São Paulo, mas a paisagem é a mesma - montanha, ar puro, friozinho, lareira, comida boa, pinga da boa, tudo de bom. Dessa vez voltei a Gonçalves para conhecer duas pedras: a Chanfrada (1771m, foto acima à esquerda) e do Forno (1970m, foto abaixo à esquerda). Para falar a verdade, também fui à Pedra do Cruzeiro (1152m), no bairro Atrás da Pedra. Faltaram a Pedra Bonita (2120m, a mais alta) e a do Barnabé (1780m), já que a de São Domingos (2050m) eu já conhecia. Do portal de Gonçalves também se avista a belíssima Pedra do Baú (1950m), que fica em São Bento do Sapucaí. Outra atração comum é o grande número de cachoeiras. Mas aí são outros quinhentos. Depois comento.

As Cores de Kieslowski

O polonês Krzysztof Kieslowski dirigiu em 1993 e 1994 a trilogia que faz referência às cores da bandeira francesa:


  • "A Liberdade é Azul" (Three Colors: Blue, setembro de 1993) é um filme sobre perda, dor, tristeza, frieza, mas surpreendentemente otimista. Julie (Juliette Binoche) é uma mulher que perde marido e filha em um acidente de automóvel.
  • "A Igualdade é Branca" (Three Colors: White, fevereiro de 1994) é comédia e drama ao mesmo tempo. Dominique (Julie Delpy) é uma francesa insatisfeita que se divorcia do marido polonês. O coitado planeja e executa uma vingança, para ficar quites com a ex-esposa.
  • "A Fraternidade é Vermelha" (Three Colors: Red, dezembro de 1994) é um filme sobre amizade, tolerância, destino, coincidências. Valentine (Irène Jacob), ao dirigir de volta para casa, atropela uma cachorra que tem escrito na coleira o endereço do dono.

Ao ver qualquer um destes filmes, a gente se sente como se estivesse lendo um livro. Não tem nada a ver com o padrão blockbuster ou com aquilo que normalmente é exibido em cinemas de shopping. É arte cinematográfica.

Ubaldo, o Paranóico

Quero sempre acreditar que a democracia está consolidada neste país porque, assim como no caso do Ubaldo, personagem do Henfil, meu maior medo é o da volta e do recrudescimento do regime militar. A história está aí fora, acontecendo. Se o Supremo Tribunal Federal optar pela manutenção da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol nos moldes em que foi homologada pelo governo Lula, o nosso glorioso Exército, parceiro do agronegócio e dos garimpeiros, vai negar os direitos dos povos indígenas alegando que isso afetaria a soberania nacional. O nosso General Custer já deixou isso bem claro quando afirmou que "nossa política indigenista é caótica." Os milicos têm dito que a Amazônia é nossa (deles, dos brancos, e não dos índios). E a imprensa marrom, através de seus parajornalistas que são bem pagos pelo patrão, já escolheu seu lado nesta questão, que é o lado dos brancos, claro. Então é hora de pôr a barba no molho.

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